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Ter que mudar seu comportamento assusta ou alivia?

Ou isto é algo a ser ignorado?

· vida profissional,comportamento,carreira,desenvolvimento,intrapessoal

Liana procurou-me após participar de um curso. Durante muitos encontros foi amadurecendo tudo o que eu ía falando sobre soft skills e seus impactos nas relações de trabalho. Até aquele momento percebia que algo em suas relações ficava sempre abalado, mas nunca havia compreendido bem o impacto e alcance que poderia ter, as limitações de crescimento do ambiente de trabalho ou mesmo sua possibilidade de diferenciar o que daquilo era seu e o que era de um cenário tóxico. Mas naquele momento tinha certeza: passava a imagem de ser uma pessoa impositiva demais, beirando uma leitura mais agressiva. Ao ponto de estar preocupada com a possibilidade de uma demissão.

Quando alguém chega com esse tipo de questionamento, buscando um processo que possa, de alguma forma, ser norteador, a primeira coisa que observo é: de algum jeito, neste momento, esta pessoa está tendo a percepção de que algo em seus sinais não verbais pode estar sendo causando um prejuízo para ela. E mais: de alguma forma, o conforto de seguir sendo quem ela é está sendo superado pela determinação em conseguir agir de um jeito diferente. E isto poder ser algo muito melhor que este conhecido "conforto".

Identificar o nível de desconforto (ou de perda) que algo relacionado ao nosso comportamento gera é um passo decisivo para buscar soluções efetivas.

Para algumas pessoas, falar sobre mudança do comportamento evoca em seu imáginário uma ideia de "falsas e controladas ações treinadas" para gerar algum impacto específico em outras pessoas. Quase uma pessoa robotizada, moldada para uma finalidade específica.

Outras imaginam o processo de mudança comportamental como algo agressivo contra si, pois não aceitam a ideia de mudar quem são, ou abrirem mão de "ser do jeito que gostam", independentemente se isso gera impacto negativo em outras pessoas, no ambiente de trabalho ou em relações íntimas. Entendem a proposta de "aprimorar" o comportamento como a tentativa de um outro alguém ter controle sobre elas.

A questão toda envolve a percepção que temos de nós mesmos diante a percepção que os outros tem a nosso respeito. É comunicação básica. Sinais emitidos X sinais captados. Quando nossa autopercepção fecha-se para identificar o que o outro está captando, moldamos estruturas fixas e qualquer mudança nelas não parece ser uma ideia boa. Parece que soará falso, que seremos alguém diferente demais do que reconhecemos ou que em nós não há espaço para algo novo.

Para algumas pessoas isso é assustador demais. E esse medo é muito maior que qualquer ganho advindo da mudança. Estas não buscarão um processo, uma mudança. Ou quando buscarem, será apenas pela pressão de alguém que tem algum tipo de poder sobre elas. Quando puderem boicotarão o próprio processo. As que não ficarem assustadas demais, refratárias, podem passar algum tempo ignorando a importância de qualquer mudança. Até que o nível de desconforto seja suficientemente grande. O suficiente para ganhar mais mudando.

Mas tem pessoas que são como Liana.

Percebem alguns sinais, ouvem alguns feedbacks, visualizam alguns cenários no qual conseguem se perceber com um comportamento um pouco distinto e isso é o suficiente para identificar seu desconforto. Atiçar a curiosidade a respeito do quanto tudo poderia ser bem diferente.

Liana passou por um diagnóstico atento. Se permitiu ser vista e foi muito ouvida. Percebeu que apenas precisava amaciar algumas falas e atitudes. Deixar algumas relações menos secas e estar mais atenta para os sinais não verbais de seus gestores e colegas. identificou também que, no seu caso, havia algo no ambiente de trabalho que era tóxico e ela ficava reativa a isso sem perceber. Acabava parecendo a "chata da balada". Conseguiu perceber os limites entre o que era seu e o que era reatividade a algo que não era seu, mas que a prejudicava. Chegou a elaborar que, talvez, a longo prazo, sua melhor opção seria apostar em buscar outro ambiente profissional, com maior alinhamento com a cultura ou mesmo uma mudança na carreira. Foi dedicada e corajosa.

No fim, não foi demitida. Passou longe disso. E veja só como são as coisas: com tudo que percebeu identificou que ela mesma buscaria construir uma transição, para trocar de empresa ou mesmo de carreira, aproximando-se mais de um clima organizacional alinhado e sem cenários reativos.

por Erica Martinovski _ sócia fundadora da Corpo e Fala

Ps: todos os meus textos são baseados em casos reais, porém adaptados de forma ilustrativa, gerando material de aprendizado e reflexão. Nomes, idades, cenários, diagnósticos e especificidades do processo são alterados ou omitidos, para preservar clientes e pacientes.

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