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Aprimoramento ou processo terapêutico?

· comportamento,corpo,mente,expressão,avaliação

Esta é a pergunta que mora em minha mente.

Muito poucas pessoas sabem, mas minha primeira formação em uma abordagem corporal vem do Yoga. Comecei como aluna, num período de faculdade na qual eu sentia necessidade de realizar uma atividade física diferente das convencionais. Logo percebi que ao me colocar em contato com o processo respiratório e ao ampliar meu conhecimento das percepções corporais, também me aproximava muito profundamente de memórias corporais guardadas no corpo. Lembranças e sensações surgiam rapidamente sempre que minha mente focava no respirar e perceber o momento presente. Na época, meus professores diziam que aquilo não era algo para se lidar com o yoga, que eu apenas deveria treinar para observar o que surgia sem me envolver Muitas vezes isso funcionava, outras nem tanto.

Depois que comecei a dar aulas para grupos de yoga fui percebendo que o mesmo ocorria com muitos alunos. E fui sentindo necessidade de aprimorar o conhecimento em abordagens terapêuticas para conseguir acolher e encaminhar melhor as necessidades que surgiam dos alunos. Descobri toda uma linhagem de conhecimentos que vem da terapia corporal, nos mostrando que num nível mais profundo há a experiência celular. As memórias guardadas nas reações do corpo. Muito intensamente enraizadas, mas potentes que o nível dos pensamentos e das emoções. Uma camada de respostas celulares, compondo todos os sistemas do corpo, definindo descargas hormonais e cadeias de reações. Foi assim que o processo do trabalho corporal tornou-se indissociável do trabalho de expressão.

Uma palavra, sozinha, já não dizia o todo. O olhar, gestos, reações, velocidade de movimentos, lembranças e fluxos de pensamentos se entrelaçavam, formando um processo único.

Para algumas pessoas, manejar esse processo para aprimorar a forma de efetivar um discurso, ou apresentação, passa apenas por tomar conhecimento do funcionamento deste seu sistema, ou do ajuste de algumas percepções. Para algumas pessoas, construir um fluxo de pensamentos mais estruturado e definir algumas estratégias de facilitação gráfica dão excelentes respostas para facilitar a expressão de algum tema específico diante de outras pessoas. Aprimorar torna-se um processo profundo, não apenas de oratória, mas de domínio do processo expressivo em si.

Outras pessoas serão mais desafiadas ao trabalharem suas questões de expressão no mundo. Para elas, estar diante de uma plateia, por exemplo, pode evocar uma série de reações em cadeia, desde um estado emocional instável, passando por desorganização da fala e do fluxo de ideias até chegar em reações primitivas conectadas ao corpo que se preparar para lutar ou fugir. Para estas pessoas, chegar em uma camada mais profunda e mais terapêutica é essencial e libertador. É construir uma alternativa de transformação do cerne dos comportamentos.

Estas pessoas são aquelas que não chegam a perceber que muitas vezes abrem mão de se colocar em lugares de destaque pessoal ou profissional porque tem muitos medos. Do julgamento e das expectativas de outros, por exemplo. E dessa forma seu corpo, bastante reativo e obediente, se retira de lugares ou da proximidade de pessoas que podem representar esse lugar de destaque. Todo o sistema funciona inconscientemente conectado para reagir aos medos e receios e abre mão do fluxo da vida para manter-se neste funcionamento.

Para elas, trabalhar o aprimoramento de seu posicionamento em público pode significar perceber que há ali um sistema de defesa ligado. Funcionando com gatilhos. E que permitir-se desenvolver seu processo expressivo pode significar um amparo num nível de mudanças terapêutico, reconstruindo caminhos neurais mais saudáveis e melhorando sua forma de viver.

Quando um cliente busca informações sobre como trabalho na Corpo e Fala busco ouvir melhor seus relatos, para já inicialmente identificar quais camadas podem ter melhor impacto para esta pessoa. E qual camada ela deseja acessar. O passo seguinte é fazer algumas avaliações e diagnóstico inicial e ajudá-la a identificar os níveis de trabalho que ela gostaria de acessar e a quantidade de energia que precisará dispor neste processo, equilibrando investimento/benefício. Aliás, falar sobre o preço de um processo é uma das partes mais importantes da definição desta camadas. Vou falar disto no próximo post.

E para você? É momento de aprimoramento ou de processo terapêutico?

por Erica Martinovski _ sócia fundadora da Corpo e Fala

Ps: todos os meus textos são baseados em casos reais, porém adaptados de forma ilustrativa, gerando material de aprendizado e reflexão. Nomes, idades, cenários, diagnósticos e especificidades do processo são alterados ou omitidos, para preservar clientes e pacientes.

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