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5 de julho. Faz 44 anos que virou marca de meu nascimento. Demarcação ritual de ciclo. Mais um ano: desafios novos, âncoras cada vez mais soltas, vivências cada vez mais experientes.
Faz alguns anos que a gente fica demarcado pela lembrança do “livro das caras”, que anuncia pra todos os teus amigos virtuais que aquele É o teu dia. Teu marco.
       E tem amigo de tudo que é jeito. Os distantes, os mais enfáticos, os que vieram de estudos, da faculdade, da infância e do trabalho. Os que você muito ajudou e os que muito te ajudaram. As misturas de ambos. Os que você pouco falou, mas tem ali alguma conexão. E os que você hoje pouco fala, mas já foram muitos episódios de tua vida.
Tem ex amor, ex professora, ex colega e ex vizinho. Tem aqueles que você deseja bem fundo que fossem o futuro. Um futuro amigo, porque você admira muito aquele trabalho incrível que vê aquela pessoa desenvolver. E ela lembrou do seu parabéns virtual (que honra!). Um futuro vizinho, porque tem muitos que moram longe de ti e você daria tudo para estar no endereço ao lado, pro chá da tarde.
         Olhando aqui, pelo lado de dentro, do ponto de vista de quem já viveu os 44 anos todinhos, tento me situar em meio a tantas mudanças. As festinhas na sala de casa, cheias de amigos da rua, com “laranjinha” e “limãozinho” (aquelas garrafinhas de refri que tinha em tudo quanto era festa de criança saída dos anos 70), pastel, bala enrolada em papelote desfiadinho e bolo tipo cama de boneca.
Tem também aquelas datas que você não queria chamar ninguém, queria só um bolo de chocolate bem gostoso, mas teve apenas fotos sorrindo no meio de vários mau humorados, fingindo estar tudo bem seu bolo ser pão de ló branco e merengue, porque a confeiteira não gostava de bolo de chocolate e recusou a fazer.
Tem as festas que ninguém apareceu, que você quis muito ser surpreendida mas ninguém tinha feito nada, não. Teve as passadas sozinha e aquelas passadas com os amigos mais queridos. Teve aquela festa agendada despretensiosamente, que encheu dois andares do bar porque todo mundo apareceu, rsrs.
Tanta história. Tanto marco já vivido. Tanta marca já guardada na alma, nesse tempo intermediário entre um aniversário e outro.
Mas tem esse agora... iniciozinho de vida nova. Essa quase sensação de “nasci de novo”, ou melhor, “me nasci de novo”. E esse agora, cheio que palavras virtuais, traz aquela sensação divina: toda essa distância tem no fundo muitas lembranças. Abraços, olhares e risadas que foram compartilhados. Carteiras de escola, danças, cantos e atuação. Clínica, estudo, profissão. Família de sangue, família de karma e família de coração.
Tudo me inundando de saudade. De cada sensação já vivida. Inundando ainda de desejo de viver momentos mais uma, duas ou três vezes, ao menos. Desejo de mudar a rota e repetir caminhos, pra fazer essa carga emocional de afeto voltar a brotar forte entre olhares. Assim, olho com olho mesmo. Abraço com braços. Nossa! O gosto das sobremesas que um dia ganhei de aníver!!! De amigo - amado que cozinhou TRÊS de suas melhores receitas pra gente, na desculpa de comemorar o meu marco… Eu, que sempre achava que era tão pouco pros outros…
Queridos… me lendo ou não lendo, saibam que tenho lembranças como força motriz. Cada gesto trocado e cada tempo passado. Sinto ainda que digo pouco sobre o quanto pequenos momentos foram importantes pra mim. Construíram. Disse pouco, mas aproveito pra deixar dito agora. Sou o melhor “eu” que poderia ser, construída de muitos retalhos divinos, de experiências incríveis, com muitas pessoas que passaram em minha vida. Sou grata a todos estes olhares que fizeram minha identidade. Que foram marca pro meu ser, nestes sucessivos ciclos de nascer e renascer.
Sintam-se abraçados para além do virtual, nessa viagem instantânea que ocorre em poderosa conexão, sempre que fechamos os olhos e evocamos um ao outro.
Aniversariando, assim, eu vou. Evocando o que precisa ser lembrado e pede pela chance de ser dito. De hoje até os 45. Espero - já ansiosa - encontrarmos no próximo ano novamente. Presencial, virtual ou atemporal.

Crônicas de Ema.

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